domingo, 17 de abril de 2011

sem ter onde me segurar

não sei mas onde procurar
meu tempo está se esgotando
o meu sangue esta se esvaindo
minha alma está sangrando


não sei mais onde enxergar
tudo em minha vida está escuro
tudo em que acredito está falso
tudo é areia onde pensei ser seguro


não sei mais o que pensar
comeram minhas idéias
seqüestraram meu coração
raptaram minha alma
alimentaram-se de minha esperança


não sei mais o que falar
minha língua tornou-se fogo
meu vocabulário está sujo
minha mente está com febre
minhas mãos precisam de renovo


não sei mais onde é a saída
não tenho amigos que me guiem
não tenho coragem que me leve
não tenho força que me escravize


não tenho vontade que vença
não tenho sangue que me lave
não tenho água que me sacie
não tenho amor que me salve


tenho dor que me agoniza
me faz rir de tanto chorar
me faz ranger os dentes até meia noite
me faz ver onde posso descansar


longe de tudo e todos
do desprezo de quem me ama
do amor de quem me odeia
da alegria de quem fica triste em me ver
do desespero de quem finge me amar...

não quer ser exemplo

não sou exemplo a ser seguido
mesmo triste e ferido
não quero aqui revelar
o motivo que me fez ficar decidido

não sou amor e ódio
nem faço questão de ser alguém
nem por aqui declarar o óbvio
de minha vida tão aquém

sou deus que não sabe o que quer
sou criatura que não sabe o que faz
sou ser que não tem vida
e meu sangue pede por paz

não façam de mim exemplo
não mereço ser seguido
nesse antro em que nasci
fui sacrifício ante o meu algoz

quero sair desse lugar
seja por bem...
quero sumir daqui
viver no mais além...

procuro a veracidade nas palavras
e viver sem parada ou descanso
onde felicidade não encontro
a não ser a alegria de ser
um simples conto...